O choque cultural inverso é a sensação de desajuste que muitas pessoas sentem quando voltam para casa depois de uma longa viagem ou de um período a viver no estrangeiro. A casa parece igual, mas você mudou, e a distância entre as duas coisas pode parecer estranha, aborrecida ou solitária durante algum tempo. É uma experiência comum e, para muitas pessoas, vai passando à medida que encontram um novo ritmo. Dar-se tempo, manter alguns hábitos da vida lá fora, continuar em contacto com as pessoas que conheceu e definir um novo objetivo ajudam a readaptar-se.
Quase toda a gente espera um choque cultural ao chegar a um sítio novo. Muito menos gente o espera no regresso. Este guia é para quem volta de meses de viagem, de um ano de estudos, de um trabalho no estrangeiro ou de uma longa estadia noutro país, e explica o que está a acontecer e o que pode fazer.
O que é o choque cultural inverso?
O choque cultural inverso, por vezes chamado choque do regresso, é o processo de adaptação que vive quando volta à sua própria cultura depois de se ter habituado a outra. Enquanto esteve fora, aprendeu novas rotinas, novas formas de falar com as pessoas e novas ideias sobre o que é normal. Em casa, isso nem sempre encaixa, e o que é familiar pode de repente parecer estranho.
O que torna isto confuso é o facto de ser inesperado. Volta à sua língua, à sua comida e à sua gente, por isso parece que devia ser fácil. Quando não é, muitas pessoas perguntam-se o que se passa com elas. Normalmente, não se passa nada de errado: é uma parte natural de regressar de uma experiência marcante.
Quais são os sinais mais comuns?
Cada pessoa vive isto de maneira diferente, de forma leve ou mais intensa. Algumas sensações surgem com frequência:
- Sentir-se um estranho: está em casa, mas não sente bem que pertence ali.
- Tédio e inquietação: o dia a dia parece lento e previsível em comparação com a vida na estrada.
- Não conseguir partilhar: os amigos ouvem durante uns minutos e depois a conversa muda de assunto.
- Irritação: pequenas coisas em casa que nunca o incomodaram agora parecem irritantes.
- Saudades de pessoas e lugares: pensa muito nos amigos, na cidade ou na vida que deixou para trás.
- Incerteza quanto ao futuro: não sabe bem o que quer a seguir, nem se os seus planos antigos ainda fazem sentido.
Estas sensações podem ir e vir. Algumas pessoas sentem-se bem nas primeiras semanas, enquanto dura a alegria de rever toda a gente, e só as notam mais tarde.
Porque é que voltar para casa parece tão estranho?
Há várias razões. Primeiro, você mudou enquanto esteve fora. Pode ter ficado mais independente, mais aberto ou mais confiante, e as suas rotinas antigas foram feitas para a pessoa que era antes. Segundo, a casa também mudou, mas de formas pequenas que não viu acontecer: os amigos têm novos empregos, parceiros ou hábitos, e a vida continuou sem si. Terceiro, viajar está cheio de novidade. Cada dia trazia algo novo, e a vida normal tem muito menos disso.
Há também o problema da história. Viveu algo grande, mas é difícil explicá-lo a quem não esteve lá. Quando os outros não reagem como esperava, pode parecer que a experiência não teve importância. Teve; só é difícil partilhá-la em poucas frases.
Como se readaptar?
Não há uma solução rápida, mas pequenos passos práticos facilitam a transição:
- Dê-se tempo. Não espere sentir-se em casa logo. Se puder, planeie umas primeiras semanas mais tranquilas.
- Mantenha um hábito de fora. Um prato que aprendeu a cozinhar, uma caminhada de manhã, uma língua que praticava: traga algo para o seu dia a dia.
- Explore a sua cidade como um viajante. Visite um bairro onde nunca vai, experimente um restaurante novo ou faça um passeio de um dia por perto.
- Procure pessoas que o compreendam. Quem viveu ou viajou no estrangeiro costuma compreender sem grandes explicações.
- Conte a sua história à sua maneira. Escreva, organize as fotografias ou faça um pequeno álbum. Ajuda a assimilar a experiência, mesmo que poucas pessoas o leiam.
- Cuide do básico. Dormir, comer a horas e mexer-se fazem diferença, sobretudo se também estiver a lidar com o jet lag.
Como manter as amizades e relações da viagem?
Uma das partes mais difíceis de voltar é a distância das pessoas que conheceu. As amizades de viagem podem ser intensas e rápidas, e é natural recear que se apaguem. Algumas vão apagar-se, e não faz mal. Outras podem durar se lhes dedicar algum esforço.
Um contacto regular e curto funciona muitas vezes melhor do que chamadas longas e raras: uma mensagem de voz, uma fotografia, uma pergunta sobre a semana. Um plano em comum, como voltarem a encontrar-se numa cidade que ambos queiram conhecer, dá à amizade algo por que esperar. Se conheceu alguém especial e quer ver onde isso leva, falem com franqueza sobre o que cada um quer, os fusos horários, os custos e quando poderão voltar a ver-se. No mytripdate pode continuar a conversar por mensagem e, quando planear a próxima viagem, ver quem vai estar na mesma cidade nas mesmas datas.
Porque é que um novo objetivo ajuda?
Parte do que torna uma viagem empolgante é ter uma direção: um percurso, uma próxima paragem, algo para aprender. Voltar para casa pode tirar-lhe essa sensação. Definir um novo objetivo devolve parte dela. Não tem de ser outra grande viagem. Pode ser continuar a aprender a língua que começou, fazer um curso, mudar algo no seu trabalho ou poupar para uma viagem futura.
Também ajuda perguntar-se o que quer guardar do tempo que passou fora. Talvez tenha gostado de viver com menos coisas, de passar mais tempo ao ar livre ou de ter mais contacto com pessoas novas. São coisas que pode trazer para a sua vida em casa, passo a passo.
Quando deve falar com alguém?
Para muitas pessoas, o choque cultural inverso vai diminuindo aos poucos. Mas se o desânimo, a solidão ou a ansiedade durarem muito tempo, ficarem mais fortes ou dificultarem o dia a dia, é boa ideia falar com um médico ou com um profissional de saúde mental. Falar com amigos e família sobre como se sente realmente também pode ajudar. Pedir apoio não é sinal de fracasso; é uma forma sensata de cuidar de si durante uma grande mudança.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura o choque cultural inverso?
Varia de pessoa para pessoa. Depende muitas vezes de quanto tempo esteve fora, de quão diferente foi a experiência e do que o espera em casa. Para muitas pessoas, vai diminuindo aos poucos.
É normal sentir-se triste ao voltar de uma viagem?
Sim. Muitos viajantes sentem-se em baixo ou inquietos depois de regressar, sobretudo após uma viagem longa ou marcante. Dar-se tempo e manter o contacto com as pessoas que conheceu pode ajudar.
Pode haver choque cultural inverso depois de uma viagem curta?
Costuma ser mais forte depois de estadias longas, mas algumas pessoas notam uma versão mais leve também depois de viagens curtas, sobretudo se a experiência foi muito diferente do dia a dia.
Como posso contar a minha experiência aos amigos?
Partilhe uma ou duas histórias concretas em vez de tudo de uma vez, e pergunte-lhes também pela vida deles. Quem também viajou pode querer ouvir mais.