Valência

Valência é uma cidade ensolarada e descontraída, onde um centro histórico medieval, um longo parque no antigo leito de um rio e uma ampla praia urbana tornam fácil passar o dia ao ar livre e a noite em boa companhia.

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Photo: Diego Delso / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Valência

Valência é a terceira maior cidade da Espanha, no litoral mediterrâneo entre Barcelona e Alicante, e combina a energia de uma cidade viva e trabalhadora com o ritmo de uma cidade de praia. Seu centro histórico, Ciutat Vella, é um labirinto de ruas estreitas ao redor da catedral, da Lonja de la Seda gótica e de um dos melhores mercados cobertos da Europa. Em volta dele se estende o Jardim do Turia, um parque de nove quilômetros traçado no leito de um rio que foi desviado depois de uma enchente catastrófica em 1957; ele termina na futurista Cidade das Artes e das Ciências. Um trajeto curto de bonde para o leste leva você ao porto e às amplas praias de areia de Malvarrosa e Las Arenas. O que torna Valência fácil para o viajante é que ela é compacta, plana e ensolarada. A bicicleta é o jeito natural de se locomover, os preços são mais baixos que em Madri ou Barcelona e o clima ameno faz com que as mesas na calçada fiquem cheias quase o ano todo. Os valencianos são abertos e conversadores, orgulhosos da cidade, da língua e da comida, e o ritmo espanhol, com almoço às duas e jantar depois das nove, deixa muito tempo à noite para conversas longas. Aqui nasceram a paella e a horchata, e aqui acontecem as Fallas, uma das festas mais espetaculares da Europa. Fala-se duas línguas: o espanhol em toda parte e o valenciano, uma variante do catalão, nas placas de rua e em muitas casas. Uma grande comunidade internacional de estudantes e expatriados, muitos nômades digitais e um fluxo constante de visitantes tornam fácil encontrar companhia, seja na praia, num intercâmbio de idiomas ou num bar lotado de Ruzafa.

Lugares para visitar

A Catedral e a Plaza de la Virgen

A catedral de Valência mistura os estilos românico, gótico e barroco, e uma de suas capelas guarda um cálice que a tradição identifica como o Santo Graal. Suba os 207 degraus da torre do sino Miguelete para ver os telhados até o mar. Ao lado, a Plaza de la Virgen, com sua fonte e suas mesas ao ar livre, é o ponto de encontro favorito da cidade; toda quinta-feira ao meio-dia o Tribunal das Águas, um dos tribunais mais antigos da Europa, ainda se reúne diante da porta da catedral para resolver disputas de irrigação.

O Mercado Central e a Lonja de la Seda

O Mercado Central é um enorme pavilhão modernista de ferro, vidro e azulejos, com centenas de bancas de peixe, presunto, frutas, arroz e produtos locais, e balcões onde se come em pé. Em frente, a Lonja de la Seda, uma antiga bolsa da seda em gótico tardio com colunas retorcidas, é Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos edifícios civis mais bonitos da sua época. Vá de manhã, quando o mercado está mais animado, e termine com um café numa das praças vizinhas.

O Jardim do Turia

Depois da enchente de 1957, o rio foi desviado para o sul da cidade, e o antigo leito virou um cinturão verde de nove quilômetros atravessado por pontes históricas. Hoje ele vive cheio de gente correndo, ciclistas, partidas de futebol, piqueniques e pessoas lendo à sombra das árvores. É o jeito mais fácil de cruzar a cidade a pé ou de bicicleta, e um lugar natural para caminhar e conversar. No caminho você passa pelo Palau de la Música e pelo Parque Gulliver, uma figura gigante em que as crianças podem subir.

A Cidade das Artes e das Ciências

No extremo leste do Turia fica o conjunto de prédios brancos e futuristas de Santiago Calatrava, cercado de espelhos d'água rasos cor de turquesa: um cinema IMAX em forma de olho, um museu de ciências, uma casa de ópera e o Oceanogràfic, o maior aquário da Europa. Mesmo sem entrar, caminhar entre os prédios ao pôr do sol ou à noite, quando estão iluminados e refletidos na água, é uma das imagens mais marcantes da cidade.

El Carmen

A parte mais antiga do centro histórico é um labirinto de ruas estreitas cheias de arte urbana, barzinhos, brechós e praças tranquilas. Nas bordas do bairro ainda estão de pé duas das portas medievais da cidade, as Torres de Serranos e as Torres de Quart, que podem ser visitadas por dentro. De dia El Carmen é tranquilo e boêmio; à noite seus bares e mesas na calçada lotam de estudantes e moradores, e ele vira um dos bairros mais animados da cidade.

Malvarrosa e a orla

Valência tem praias urbanas amplas e de areia a um curto trajeto de bonde do centro. Las Arenas e Malvarrosa são margeadas por um longo calçadão com restaurantes onde os valencianos comem paella no almoço, e mais ao norte a praia segue até Patacona, mais tranquila e com um clima jovem e descontraído. Ao lado, o antigo bairro de pescadores de El Cabanyal, com suas fachadas de azulejos, abriga hoje alguns dos bares e restaurantes mais interessantes da cidade.

Onde sair

Ruzafa

Ao sul do centro, Ruzafa é o bairro da moda de Valência, uma quadrícula de ruas repleta de cafés, bares de coquetéis, bares de vermute, galerias e restaurantes internacionais. É popular entre jovens valencianos, artistas e expatriados, e nas noites quentes as calçadas se enchem de gente indo de um bar a outro. O clima é descontraído e diverso, o que facilita puxar conversa no balcão.

Tapas e jantares tardios

Comer fora em Valência é um programa social. Os valencianos costumam sair para tapas em grupos pequenos e dividir porções de lula frita, patatas bravas, clóchinas (os mexilhões locais) e esgarraet (pimentão vermelho com bacalhau salgado) com uma taça de vinho ou uma cerveja. O jantar raramente começa antes das nove e pode se estender até depois da meia-noite. O ritual semanal do almuerzo, um sanduíche no meio da manhã com bebida e café, é outro costume local que vale a pena experimentar.

Bares de praia e noites de verão

No verão, a vida social vai para perto do mar. Os bares de praia de Malvarrosa e Patacona servem drinques até tarde, alguns com DJ e música ao vivo, e o calçadão continua movimentado muito depois de escurecer. Muitos valencianos terminam a noite com um sorvete ou um copo de horchata, uma bebida gelada e doce feita de chufa, numa das horchaterías tradicionais.

Festas

As Fallas, de 15 a 19 de março, são a grande festa de Valência: enormes esculturas satíricas de madeira e papel machê tomam as ruas, os rojões da mascletà explodem às duas da tarde na praça da prefeitura e na última noite as esculturas são queimadas. No verão há shows ao ar livre e a Feira de Julho, com música e fogos de artifício; no outono, o 9 de outubro, dia da Comunidade Valenciana, leva desfiles ao centro histórico. É nas festas que a cidade fica mais aberta e sociável.

Música e vida noturna

Valência tem uma cena musical animada, de pequenos bares de jazz e flamenco em El Carmen a casas de show e baladas. A noite começa tarde: as pessoas costumam se encontrar para um drinque por volta das onze, e as baladas só enchem depois da uma da manhã. No verão, espaços ao ar livre perto do porto e da praia recebem shows e festas, e a vida universitária mantém os bares de estudantes cheios durante o ano letivo.

Coisas para fazer

Percorra a cidade de bicicleta

Valência é plana, ensolarada e tem muitas ciclovias, então alugar uma bicicleta ou usar o sistema público Valenbisi é a melhor forma de explorá-la. Um roteiro clássico segue o Jardim do Turia do centro histórico até a Cidade das Artes e das Ciências e depois continua até a praia. Passeios de bicicleta em grupo também são um jeito simples de conhecer outros viajantes.

Coma uma autêntica paella valenciana

A paella nasceu nos arrozais ao redor de Valência, e a versão tradicional é feita com frango, coelho e vagem, cozida no fogo a lenha e comida no almoço, nunca à noite. Prove numa das casas de frente para o mar em Las Arenas ou nos vilarejos da Albufera. Aulas de culinária de paella são uma atividade divertida para fazer junto e muitas vezes terminam com todo mundo comendo à mesma mesa.

Veja o pôr do sol na Albufera

Cerca de vinte minutos ao sul da cidade fica a Albufera, uma grande lagoa de água doce cercada de arrozais e pinheirais. Pegue um barquinho no fim do dia para ver o pôr do sol e depois jante no vilarejo de El Palmar, conhecido pelos pratos de arroz. É um dos passeios mais românticos dos arredores de Valência.

Participe de um intercâmbio de idiomas

Com tantos estudantes e expatriados, Valência tem encontros de intercâmbio de idiomas com frequência, geralmente em bares do centro ou de Ruzafa, onde as pessoas se reúnem para praticar espanhol e inglês tomando alguma coisa. São descontraídos, gratuitos ou muito baratos, e uma das maneiras mais fáceis de conhecer moradores e outros recém-chegados.

Faça um bate-volta pelo litoral

Trens rápidos e ônibus ligam Valência às cidades vizinhas. Sagunto tem um teatro romano e um castelo no alto de um morro; Xàtiva, um castelo com uma vista ampla; e ao sul ficam as praias e enseadas da Costa Blanca. Um dia juntos no litoral é um bom próximo passo depois de um primeiro encontro.

Ótimos lugares para primeiro encontro

Informações úteis

Melhor época

A primavera e o outono, de março a junho e de setembro a novembro, são as estações mais agradáveis, com dias quentes, noites amenas e menos gente; em março ainda tem as Fallas. Julho e agosto são quentes e úmidos, as praias ficam lotadas e muitos valencianos saem da cidade em agosto. O inverno é ameno e ensolarado em comparação com o resto da Europa, com temperaturas diurnas muitas vezes em torno de quinze graus, o que faz de Valência uma boa escapada de inverno.

Como se locomover

O centro histórico é compacto e melhor explorado a pé, e a cidade inteira é plana, então andar de bicicleta é fácil. Uma rede de metrô e bonde liga o centro ao aeroporto, ao porto e às praias, e os ônibus cobrem o resto da cidade. O metrô vai do aeroporto ao centro em uns vinte e cinco minutos. Os táxis têm preços razoáveis. A maioria dos viajantes se hospeda no centro histórico, em Ruzafa ou perto da praia.

Idioma e conhecer pessoas

O espanhol é falado em toda parte, e o valenciano, uma variante do catalão, é a segunda língua oficial; você vai vê-lo nas placas e ouvi-lo em muitas casas. Os jovens e quem trabalha com turismo costumam falar inglês, os mais velhos menos. Algumas palavras em espanhol, como hola, gracias e buenas noches, são bem recebidas, e quem fala português costuma se virar bem. Os valencianos são calorosos, sociáveis e diretos, e cumprimentar com dois beijos no rosto é comum entre amigos. As refeições são tardias e longas, e a pontualidade é flexível nos encontros sociais.

Onde se encontram viajantes e expatriados

Ruzafa é o bairro favorito de expatriados, nômades digitais e gente criativa, com cafés, espaços de coworking e bares. El Carmen atrai estudantes e viajantes, e a região de praia de El Cabanyal e Malvarrosa agrada quem prefere uma vida mais lenta perto do mar. Valência tem uma grande comunidade Erasmus e um número crescente de moradores estrangeiros. Intercâmbios de idiomas, passeios de bicicleta em grupo, vôlei de praia, grupos de corrida no Turia e encontros internacionais são jeitos fáceis de conhecer moradores e outros viajantes.

Perguntas frequentes

Valência é boa para quem viaja sozinho?

Sim. É segura, compacta, ensolarada e acessível, com muitos albergues, uma grande comunidade internacional e uma cultura social que gira em torno das tapas e das mesas na calçada. Intercâmbios de idiomas e atividades em grupo facilitam conhecer pessoas.

Quantos dias preciso em Valência?

Três dias bastam para o centro histórico, o Jardim do Turia, a Cidade das Artes e das Ciências e a praia. Acrescente um dia para a Albufera e outro para um bate-volta pelo litoral.

Valência é cara?

É mais barata que Madri ou Barcelona. As tapas, o menú del día no almoço, o transporte público e o aluguel de bicicleta são acessíveis, e muitos dos melhores programas, do Jardim do Turia à praia, são de graça. Os preços sobem durante as Fallas e no auge do verão.

Preciso falar espanhol ou valenciano?

Não. O inglês é comum entre os jovens e nas áreas turísticas. Algumas palavras em espanhol são bem recebidas, e ninguém espera que visitantes falem valenciano.

Quando Valência é mais sociável?

Na primavera, principalmente durante as Fallas em março, e de maio a outubro, quando as mesas na calçada e os bares de praia estão cheios e as noites são longas. Durante o ano letivo, os estudantes mantêm animados os bares de El Carmen e da região universitária.

É seguro encontrar alguém de um aplicativo em Valência?

Valência é uma cidade segura, e valem as regras de bom senso de sempre: no primeiro encontro, marque num lugar público movimentado, avise alguém de confiança aonde você vai e organize sua própria volta para casa. Fique de olho nos seus pertences em lugares cheios e na praia. O centro histórico, Ruzafa e a orla continuam animados até tarde e são lugares naturais para um primeiro encontro.

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