Xangai é uma enorme cidade às margens de um rio, onde uma orla de bancos centenários olha para um dos skylines mais famosos do mundo.
RegistarXangai é a maior cidade da China, com cerca de vinte e cinco milhões de habitantes, e cresceu de frente para a água. Há um século era um porto aberto por tratado e dividido em concessões estrangeiras, e essa história ainda está escrita nas suas ruas: os bancos e casas comerciais de pedra do Bund, as avenidas de plátanos da antiga Concessão Francesa e as casas shikumen das vielas onde já morou boa parte da cidade. Do outro lado do rio Huangpu, Pudong era basicamente plantações e armazéns até os anos 1990; hoje é o skyline de torres que você vê em toda foto da cidade. Para quem visita, esse contraste é justamente o ponto. Você pode tomar um café numa viela tranquila de manhã, comer dumplings de sopa no almoço e, à noite, ficar num mirante a mais de quinhentos metros de altura. O metrô é rápido e barato, a cidade é considerada muito segura e os jovens de Xangai são curiosos sobre o mundo. É preciso um pouco de preparo — pagamentos, aplicativos e acesso à internet funcionam de outro jeito aqui —, mas depois disso Xangai é uma das grandes cidades da Ásia mais fáceis de curtir.
O calçadão curvo da margem oeste do Huangpu é ladeado por bancos, hotéis e casas comerciais construídos no fim do século XIX e no início do XX, em estilos que vão do neoclássico ao art déco. Do outro lado da água ergue-se o skyline de Lujiazui. Caminhe por ali duas vezes: uma bem cedo, quando os moradores praticam tai chi e a luz é suave, e outra depois que escurece, quando as duas margens se iluminam e parece que a cidade inteira saiu para olhar.
O distrito financeiro na margem de Pudong é onde ficam as torres famosas: a Pérola do Oriente, com suas esferas cor-de-rosa, o Shanghai World Financial Center, com o topo vazado, e a Shanghai Tower, retorcida, o prédio mais alto da China, com 632 metros. O mirante dela oferece a vista mais alta da cidade. Vá num dia claro — a névoa pode esconder tudo — e depois desça até o calçadão do lado de Pudong para ver o Bund de frente.
Um jardim chinês clássico criado no século XVI, durante a dinastia Ming, com rochedos, lagos, pavilhões e galerias cobertas sinuosas que fazem um espaço pequeno parecer grande. Fica dentro de um bazar movimentado de prédios tradicionais reconstruídos, ao lado da ponte em zigue-zague que leva à casa de chá Huxinting. O bazar é muito turístico; o jardim em si vale a pena. Chegue na hora em que abre para vê-lo antes da multidão.
A parte mais gostosa da cidade para caminhar é uma área ampla de ruas tranquilas à sombra dos plátanos, com casarões antigos, prédios baixos e pequenos cafés, lojas e padarias. A rua Wukang, a rua Anfu e as ruas em volta do parque Fuxing são bons pontos de partida, e o prédio em forma de cunha da Wukang Mansion é um dos mais fotografados de Xangai. Não há uma atração principal; o prazer está em andar sem rumo.
Na Praça do Povo, o principal museu da cidade guarda uma das melhores coleções de arte chinesa antiga do mundo: bronzes, cerâmica, caligrafia, pintura, jade e móveis, tudo bem exposto e com legendas em inglês. A entrada tradicionalmente é gratuita, mas em geral é preciso reservar um horário com antecedência usando os dados do passaporte. Reserve pelo menos meio dia e chegue cedo se puder.
Uma antiga cidade de canais no oeste de Xangai, que você alcança pela linha 17 do metrô, com pontes de pedra, vielas estreitas e casas de madeira à beira d'água. Fica lotada nos fins de semana e a rua principal é cheia de barracas de petiscos, mas uma visita cedo num dia útil ou um passeio curto de barco pelos canais mostra por que essas cidades já foram o coração do delta do Yangtzé. Um passeio fácil de meio dia.
Vários prédios históricos do Bund têm terraços e bares nos andares de cima, com vista direta para o skyline de Pudong do outro lado do rio. Os drinques custam o preço da vista, mas um drinque ao pôr do sol ou na hora em que as luzes acendem é uma das noites clássicas de Xangai. Vista-se com capricho, porque alguns lugares têm dress code, e conte com mais movimento nos fins de semana.
O Fairmont Peace Hotel, o ícone art déco de telhado verde do Bund inaugurado em 1929, tem um bar de jazz onde uma banda toca swing e standards numa sala revestida de madeira. É uma lembrança da vida noturna da cidade nos anos 1930 e um lugar calmo e elegante para um drinque à noite. Xangai também tem uma cena de música ao vivo pequena, mas animada, com clubes de jazz e casas de show principalmente na antiga Concessão Francesa e em Jing'an.
A acrobacia chinesa é uma das tradições cênicas mais antigas da cidade, e o espetáculo ERA – Intersection of Time, em cartaz há muitos anos, a combina com música e encenação moderna. Vários teatros do centro também apresentam espetáculos acrobáticos mais curtos. Dá para entender em qualquer idioma, o que faz dele um bom programa a dois para quem acabou de se conhecer.
A maior parte da vida noturna cotidiana de Xangai acontece em pequenos bares de coquetéis, lugares de cerveja artesanal e bares de vinho nas ruas arborizadas a oeste do centro. O público mistura jovens locais e estrangeiros que moram na cidade, as noites começam depois do jantar e vão até tarde, e ir a pé de um bar para outro é o normal. Os bares abrem e fecham rápido por aqui, então pergunte aos moradores quais são os favoritos do momento.
À noite, barcos saem das duas margens e sobem e descem o rio diante do Bund iluminado e de Lujiazui em cerca de uma hora. É programa de turista, mas é a melhor forma de entender a escala da cidade, e a vista dos dois skylines ao mesmo tempo é espetacular. Para uma versão mais barata e curta, atravesse o rio na balsa pública.
A comida mais famosa de Xangai é o xiaolongbao, um delicado dumpling no vapor recheado de carne de porco e caldo quente; morda um furinho, sugue a sopa e depois coma o resto. O rival local é o shengjian bao, um pãozinho mais grosso frito até ficar crocante embaixo. Os dois são baratos, comidos a qualquer hora e servidos em todo lugar, de balcões simples a restaurantes conhecidos. Tomar café da manhã numa lanchonete do bairro faz parte da experiência.
As balsas comuns da cidade cruzam o rio em poucos minutos por um ou dois iuanes, de cais perto do Bund até o lado de Pudong. Você fica de pé no convés aberto entre os dois skylines, junto com trabalhadores de escritório e ciclistas, e paga uma fração de um passeio de barco. Também é um jeito prático de chegar ao calçadão de Pudong.
O trem de levitação magnética entre o aeroporto de Pudong e a estação Longyang Road é um dos trens comerciais mais rápidos do mundo e percorre cerca de trinta quilômetros em mais ou menos oito minutos. Uma tela em cada vagão mostra a velocidade. Pegue-o na ida ou na volta do aeroporto e depois troque para o metrô até o centro.
Ao sul do centro, a antiga margem industrial de Xuhui virou um longo parque à beira do rio, com ciclovias, gramados, cafés e museus de arte em antigos hangares e tanques de combustível. Os moradores vão lá andar de skate, correr, soltar pipa e ver o pôr do sol. O clima é bem diferente do Bund lotado e mostra como a cidade vive no fim de semana.
Trens de alta velocidade saem com frequência para Suzhou, famosa pelos jardins clássicos e canais, em cerca de meia hora, e para Hangzhou e seu Lago Oeste em mais ou menos uma hora. Os dois são bate-voltas fáceis que mostram um lado mais suave e antigo da região. Compre as passagens de trem com antecedência nos fins de semana e feriados e leve o passaporte, que serve como bilhete.
Abril, maio, outubro e novembro são os melhores meses: temperaturas amenas, pouca chuva e conforto para caminhar. O verão é quente e muito úmido, com uma temporada de chuvas por volta de junho e alguns tufões no fim do verão. O inverno é curto, mas frio e úmido, e os prédios nem sempre têm boa calefação. Se puder, evite os feriados nacionais: a primeira semana de outubro e o período do Ano-Novo Chinês levam multidões enormes a todas as atrações, e o transporte e os hotéis lotam cedo.
O metrô é um dos mais longos do mundo, barato, limpo, sinalizado em chinês e inglês, e chega aos dois aeroportos. Os táxis são baratos, e o aplicativo de transporte Didi tem interface em inglês e aceita cartões estrangeiros. A maioria dos pagamentos é feita escaneando um QR code com Alipay ou WeChat Pay; os dois agora podem ser vinculados a muitos cartões bancários estrangeiros, então configure antes de chegar. Leve um pouco de dinheiro em espécie de reserva e ande com o passaporte, porque ele é exigido em trens, museus e hotéis.
O mandarim é a língua comum, e muitos moradores mais velhos também falam entre si o dialeto de Xangai. Fala-se inglês em hotéis, bares internacionais e entre muitos jovens, mas bem menos na rua, por isso um aplicativo de tradução com chinês offline ajuda muito. Os serviços do Google, WhatsApp, Instagram e Facebook são bloqueados na China continental; muitos visitantes usam uma VPN configurada antes de chegar ou um eSIM estrangeiro, e testam os aplicativos antes da viagem. Aqui as pessoas trocam contato pelo WeChat em vez do número de telefone. Um simples xièxie, obrigado, é sempre bem recebido.
Os estrangeiros que moram em Xangai se concentram na antiga Concessão Francesa, em Jing'an e em volta de Xintiandi, onde é fácil achar cafés, bares, espaços de coworking e academias. As famílias costumam morar mais afastadas, em Pudong ou em Gubei e na região de Hongqiao. Agendas de eventos em inglês, grupos de corrida, encontros de intercâmbio de idiomas, grupos de trilha e viagens de fim de semana são jeitos comuns de conhecer pessoas, e a maioria dos grupos se organiza pelo WeChat.
Sim. É considerada muito segura, o transporte público é fácil de usar e a cidade é cheia de cafés, parques e orlas onde ficar sozinho parece natural. Os principais desafios são práticos — pagamentos, aplicativos e idioma — e, depois de resolvidos, muitos viajantes solo acham Xangai mais fácil do que esperavam.
Três dias bastam para o Bund, Lujiazui, a cidade velha, a antiga Concessão Francesa e um museu. Acrescente um ou dois dias para Zhujiajiao ou um bate-volta de trem de alta velocidade a Suzhou ou Hangzhou.
Se você quer usar Google, WhatsApp, Instagram ou Facebook, sim, ou um chip ou eSIM estrangeiro que encaminhe os dados por fora da China. Instale e teste tudo antes de chegar, porque baixar aplicativos depois de entrar no país é muito mais difícil. Baixe também mapas offline e um aplicativo de tradução.
Hotéis grandes, shoppings e alguns restaurantes aceitam cartões internacionais, e o dinheiro em espécie tem curso legal, mas muitas lojinhas e barracas de comida só usam QR code. A solução mais confiável é vincular seu cartão ao Alipay ou ao WeChat Pay antes da viagem e levar um pouco de dinheiro de reserva.
Depende de como você vive. Metrô, comida local e petiscos de rua são baratos, enquanto bares de coquetéis, restaurantes internacionais e hotéis perto do Bund têm preços de outras grandes cidades do mundo. Ficar num bairro residencial e comer onde os moradores comem mantém os gastos baixos.
Xangai é uma cidade muito segura, e valem as mesmas regras simples de qualquer lugar: no primeiro encontro, escolha um lugar público movimentado, avise um amigo aonde você vai e organize o seu próprio transporte. Fique atento a um golpe comum nas áreas turísticas, em que desconhecidos simpáticos convidam visitantes para uma casa de chá ou um bar que depois apresenta uma conta altíssima — escolha você o lugar.