Xangai

Xangai é uma enorme cidade às margens de um rio, onde uma orla de bancos centenários olha para um dos skylines mais famosos do mundo.

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Photo: Lloyd Tudor / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Xangai

Xangai é a maior cidade da China, com cerca de vinte e cinco milhões de habitantes, e cresceu de frente para a água. Há um século era um porto aberto por tratado e dividido em concessões estrangeiras, e essa história ainda está escrita nas suas ruas: os bancos e casas comerciais de pedra do Bund, as avenidas de plátanos da antiga Concessão Francesa e as casas shikumen das vielas onde já morou boa parte da cidade. Do outro lado do rio Huangpu, Pudong era basicamente plantações e armazéns até os anos 1990; hoje é o skyline de torres que você vê em toda foto da cidade. Para quem visita, esse contraste é justamente o ponto. Você pode tomar um café numa viela tranquila de manhã, comer dumplings de sopa no almoço e, à noite, ficar num mirante a mais de quinhentos metros de altura. O metrô é rápido e barato, a cidade é considerada muito segura e os jovens de Xangai são curiosos sobre o mundo. É preciso um pouco de preparo — pagamentos, aplicativos e acesso à internet funcionam de outro jeito aqui —, mas depois disso Xangai é uma das grandes cidades da Ásia mais fáceis de curtir.

Lugares para visitar

O Bund

O calçadão curvo da margem oeste do Huangpu é ladeado por bancos, hotéis e casas comerciais construídos no fim do século XIX e no início do XX, em estilos que vão do neoclássico ao art déco. Do outro lado da água ergue-se o skyline de Lujiazui. Caminhe por ali duas vezes: uma bem cedo, quando os moradores praticam tai chi e a luz é suave, e outra depois que escurece, quando as duas margens se iluminam e parece que a cidade inteira saiu para olhar.

Lujiazui e a Shanghai Tower

O distrito financeiro na margem de Pudong é onde ficam as torres famosas: a Pérola do Oriente, com suas esferas cor-de-rosa, o Shanghai World Financial Center, com o topo vazado, e a Shanghai Tower, retorcida, o prédio mais alto da China, com 632 metros. O mirante dela oferece a vista mais alta da cidade. Vá num dia claro — a névoa pode esconder tudo — e depois desça até o calçadão do lado de Pudong para ver o Bund de frente.

O Jardim Yu e a cidade velha

Um jardim chinês clássico criado no século XVI, durante a dinastia Ming, com rochedos, lagos, pavilhões e galerias cobertas sinuosas que fazem um espaço pequeno parecer grande. Fica dentro de um bazar movimentado de prédios tradicionais reconstruídos, ao lado da ponte em zigue-zague que leva à casa de chá Huxinting. O bazar é muito turístico; o jardim em si vale a pena. Chegue na hora em que abre para vê-lo antes da multidão.

A antiga Concessão Francesa

A parte mais gostosa da cidade para caminhar é uma área ampla de ruas tranquilas à sombra dos plátanos, com casarões antigos, prédios baixos e pequenos cafés, lojas e padarias. A rua Wukang, a rua Anfu e as ruas em volta do parque Fuxing são bons pontos de partida, e o prédio em forma de cunha da Wukang Mansion é um dos mais fotografados de Xangai. Não há uma atração principal; o prazer está em andar sem rumo.

Museu de Xangai

Na Praça do Povo, o principal museu da cidade guarda uma das melhores coleções de arte chinesa antiga do mundo: bronzes, cerâmica, caligrafia, pintura, jade e móveis, tudo bem exposto e com legendas em inglês. A entrada tradicionalmente é gratuita, mas em geral é preciso reservar um horário com antecedência usando os dados do passaporte. Reserve pelo menos meio dia e chegue cedo se puder.

A cidade das águas de Zhujiajiao

Uma antiga cidade de canais no oeste de Xangai, que você alcança pela linha 17 do metrô, com pontes de pedra, vielas estreitas e casas de madeira à beira d'água. Fica lotada nos fins de semana e a rua principal é cheia de barracas de petiscos, mas uma visita cedo num dia útil ou um passeio curto de barco pelos canais mostra por que essas cidades já foram o coração do delta do Yangtzé. Um passeio fácil de meio dia.

Onde sair

Bares de cobertura no Bund

Vários prédios históricos do Bund têm terraços e bares nos andares de cima, com vista direta para o skyline de Pudong do outro lado do rio. Os drinques custam o preço da vista, mas um drinque ao pôr do sol ou na hora em que as luzes acendem é uma das noites clássicas de Xangai. Vista-se com capricho, porque alguns lugares têm dress code, e conte com mais movimento nos fins de semana.

Jazz no Peace Hotel

O Fairmont Peace Hotel, o ícone art déco de telhado verde do Bund inaugurado em 1929, tem um bar de jazz onde uma banda toca swing e standards numa sala revestida de madeira. É uma lembrança da vida noturna da cidade nos anos 1930 e um lugar calmo e elegante para um drinque à noite. Xangai também tem uma cena de música ao vivo pequena, mas animada, com clubes de jazz e casas de show principalmente na antiga Concessão Francesa e em Jing'an.

Acrobacias no Shanghai Circus World

A acrobacia chinesa é uma das tradições cênicas mais antigas da cidade, e o espetáculo ERA – Intersection of Time, em cartaz há muitos anos, a combina com música e encenação moderna. Vários teatros do centro também apresentam espetáculos acrobáticos mais curtos. Dá para entender em qualquer idioma, o que faz dele um bom programa a dois para quem acabou de se conhecer.

Bares da antiga Concessão Francesa e de Jing'an

A maior parte da vida noturna cotidiana de Xangai acontece em pequenos bares de coquetéis, lugares de cerveja artesanal e bares de vinho nas ruas arborizadas a oeste do centro. O público mistura jovens locais e estrangeiros que moram na cidade, as noites começam depois do jantar e vão até tarde, e ir a pé de um bar para outro é o normal. Os bares abrem e fecham rápido por aqui, então pergunte aos moradores quais são os favoritos do momento.

Passeio de barco pelo Huangpu

À noite, barcos saem das duas margens e sobem e descem o rio diante do Bund iluminado e de Lujiazui em cerca de uma hora. É programa de turista, mas é a melhor forma de entender a escala da cidade, e a vista dos dois skylines ao mesmo tempo é espetacular. Para uma versão mais barata e curta, atravesse o rio na balsa pública.

Coisas para fazer

Coma dumplings de sopa e shengjian

A comida mais famosa de Xangai é o xiaolongbao, um delicado dumpling no vapor recheado de carne de porco e caldo quente; morda um furinho, sugue a sopa e depois coma o resto. O rival local é o shengjian bao, um pãozinho mais grosso frito até ficar crocante embaixo. Os dois são baratos, comidos a qualquer hora e servidos em todo lugar, de balcões simples a restaurantes conhecidos. Tomar café da manhã numa lanchonete do bairro faz parte da experiência.

Atravesse o Huangpu de balsa pública

As balsas comuns da cidade cruzam o rio em poucos minutos por um ou dois iuanes, de cais perto do Bund até o lado de Pudong. Você fica de pé no convés aberto entre os dois skylines, junto com trabalhadores de escritório e ciclistas, e paga uma fração de um passeio de barco. Também é um jeito prático de chegar ao calçadão de Pudong.

Ande no maglev

O trem de levitação magnética entre o aeroporto de Pudong e a estação Longyang Road é um dos trens comerciais mais rápidos do mundo e percorre cerca de trinta quilômetros em mais ou menos oito minutos. Uma tela em cada vagão mostra a velocidade. Pegue-o na ida ou na volta do aeroporto e depois troque para o metrô até o centro.

Caminhe pela orla do West Bund

Ao sul do centro, a antiga margem industrial de Xuhui virou um longo parque à beira do rio, com ciclovias, gramados, cafés e museus de arte em antigos hangares e tanques de combustível. Os moradores vão lá andar de skate, correr, soltar pipa e ver o pôr do sol. O clima é bem diferente do Bund lotado e mostra como a cidade vive no fim de semana.

Faça um bate-volta a Suzhou ou Hangzhou

Trens de alta velocidade saem com frequência para Suzhou, famosa pelos jardins clássicos e canais, em cerca de meia hora, e para Hangzhou e seu Lago Oeste em mais ou menos uma hora. Os dois são bate-voltas fáceis que mostram um lado mais suave e antigo da região. Compre as passagens de trem com antecedência nos fins de semana e feriados e leve o passaporte, que serve como bilhete.

Ótimos lugares para primeiro encontro

Informações úteis

Melhor época

Abril, maio, outubro e novembro são os melhores meses: temperaturas amenas, pouca chuva e conforto para caminhar. O verão é quente e muito úmido, com uma temporada de chuvas por volta de junho e alguns tufões no fim do verão. O inverno é curto, mas frio e úmido, e os prédios nem sempre têm boa calefação. Se puder, evite os feriados nacionais: a primeira semana de outubro e o período do Ano-Novo Chinês levam multidões enormes a todas as atrações, e o transporte e os hotéis lotam cedo.

Como se locomover

O metrô é um dos mais longos do mundo, barato, limpo, sinalizado em chinês e inglês, e chega aos dois aeroportos. Os táxis são baratos, e o aplicativo de transporte Didi tem interface em inglês e aceita cartões estrangeiros. A maioria dos pagamentos é feita escaneando um QR code com Alipay ou WeChat Pay; os dois agora podem ser vinculados a muitos cartões bancários estrangeiros, então configure antes de chegar. Leve um pouco de dinheiro em espécie de reserva e ande com o passaporte, porque ele é exigido em trens, museus e hotéis.

Idioma e conhecer pessoas

O mandarim é a língua comum, e muitos moradores mais velhos também falam entre si o dialeto de Xangai. Fala-se inglês em hotéis, bares internacionais e entre muitos jovens, mas bem menos na rua, por isso um aplicativo de tradução com chinês offline ajuda muito. Os serviços do Google, WhatsApp, Instagram e Facebook são bloqueados na China continental; muitos visitantes usam uma VPN configurada antes de chegar ou um eSIM estrangeiro, e testam os aplicativos antes da viagem. Aqui as pessoas trocam contato pelo WeChat em vez do número de telefone. Um simples xièxie, obrigado, é sempre bem recebido.

Onde se encontram viajantes e expatriados

Os estrangeiros que moram em Xangai se concentram na antiga Concessão Francesa, em Jing'an e em volta de Xintiandi, onde é fácil achar cafés, bares, espaços de coworking e academias. As famílias costumam morar mais afastadas, em Pudong ou em Gubei e na região de Hongqiao. Agendas de eventos em inglês, grupos de corrida, encontros de intercâmbio de idiomas, grupos de trilha e viagens de fim de semana são jeitos comuns de conhecer pessoas, e a maioria dos grupos se organiza pelo WeChat.

Perguntas frequentes

Xangai é uma boa cidade para viajar sozinho?

Sim. É considerada muito segura, o transporte público é fácil de usar e a cidade é cheia de cafés, parques e orlas onde ficar sozinho parece natural. Os principais desafios são práticos — pagamentos, aplicativos e idioma — e, depois de resolvidos, muitos viajantes solo acham Xangai mais fácil do que esperavam.

Quantos dias preciso em Xangai?

Três dias bastam para o Bund, Lujiazui, a cidade velha, a antiga Concessão Francesa e um museu. Acrescente um ou dois dias para Zhujiajiao ou um bate-volta de trem de alta velocidade a Suzhou ou Hangzhou.

Preciso de VPN em Xangai?

Se você quer usar Google, WhatsApp, Instagram ou Facebook, sim, ou um chip ou eSIM estrangeiro que encaminhe os dados por fora da China. Instale e teste tudo antes de chegar, porque baixar aplicativos depois de entrar no país é muito mais difícil. Baixe também mapas offline e um aplicativo de tradução.

Posso pagar com cartão estrangeiro ou em dinheiro?

Hotéis grandes, shoppings e alguns restaurantes aceitam cartões internacionais, e o dinheiro em espécie tem curso legal, mas muitas lojinhas e barracas de comida só usam QR code. A solução mais confiável é vincular seu cartão ao Alipay ou ao WeChat Pay antes da viagem e levar um pouco de dinheiro de reserva.

Xangai é cara?

Depende de como você vive. Metrô, comida local e petiscos de rua são baratos, enquanto bares de coquetéis, restaurantes internacionais e hotéis perto do Bund têm preços de outras grandes cidades do mundo. Ficar num bairro residencial e comer onde os moradores comem mantém os gastos baixos.

É seguro encontrar alguém de um aplicativo em Xangai?

Xangai é uma cidade muito segura, e valem as mesmas regras simples de qualquer lugar: no primeiro encontro, escolha um lugar público movimentado, avise um amigo aonde você vai e organize o seu próprio transporte. Fique atento a um golpe comum nas áreas turísticas, em que desconhecidos simpáticos convidam visitantes para uma casa de chá ou um bar que depois apresenta uma conta altíssima — escolha você o lugar.

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