Chicago é uma cidade de arquitetura ousada às margens de um lago tão largo quanto um mar, onde a simpatia do Meio-Oeste torna fácil conversar com desconhecidos.
RegistarChicago é a terceira maior cidade dos Estados Unidos e provavelmente a mais recompensadora para quem se interessa por arquitetura. Depois que o Grande Incêndio de 1871 destruiu boa parte do centro, a cidade se reconstruiu em velocidade recorde e se tornou o berço do arranha-céu; hoje as torres do Loop se erguem diretamente das margens do rio Chicago, e um passeio de barco entre elas é uma das grandes experiências urbanas dos Estados Unidos. A leste fica o lago Michigan, tão grande que o horizonte parece o mar, com praias públicas gratuitas, parques e uma longa trilha à beira d'água que acompanha quase toda a cidade. Além do centro, Chicago é um mosaico de bairros diferentes, cada um com sua rua principal, seus bares e sua comunidade, moldados por gerações de imigrantes do México, da Polônia, da Irlanda, da Itália e de muitos outros lugares. O povo daqui tem fama de ser simples, direto e acolhedor, e as conversas começam fácil no balcão de um bar ou num jogo de beisebol. Os verões são quentes e cheios de festivais gratuitos; os invernos são longos e frios de verdade, e a cidade simplesmente se recolhe em seus clubes de música, teatros e restaurantes.
O rio corta o coração da cidade, ladeado nas duas margens por torres de todas as fases da história do arranha-céu. Ao longo do braço principal, o Riverwalk é um calçadão abaixo do nível da rua com cafés, bares de vinho, degraus para sentar e aluguel de caiaques. Os passeios de barco de arquitetura que saem daqui, principalmente o organizado com o Chicago Architecture Center, são a melhor introdução à cidade: em noventa minutos você aprende mais sobre Chicago do que num dia inteiro andando. Vá no fim da tarde, quando a luz bate no vidro.
A sala de estar da cidade, construída sobre antigos pátios ferroviários na beira do Loop. A peça central é Cloud Gate, de Anish Kapoor, uma escultura gigante de aço polido que todo mundo chama de Feijão, refletindo o skyline e a multidão ao redor. Ali perto, a Crown Fountain exibe rostos de moradores de Chicago em duas torres de vidro, e o Jay Pritzker Pavilion, de Frank Gehry, recebe shows gratuitos ao ar livre nas noites de verão, com gente fazendo piquenique no grande gramado. O Art Institute of Chicago, um dos melhores museus de arte do país, fica bem ao lado.
Graças a uma decisão tomada há mais de um século, a maior parte da margem do lago em Chicago é parque público, e não propriedade privada. A Lakefront Trail se estende por cerca de 29 quilômetros à beira d'água e é compartilhada por ciclistas, corredores e pedestres. North Avenue Beach e Oak Street Beach, a uma curta caminhada dos arranha-céus, ficam lotadas no verão de jogadores de vôlei, nadadores e gente tomando sol. Poucas grandes cidades têm uma praia de verdade tão perto do seu centro financeiro.
A noroeste do centro, esses bairros são onde muitos jovens de Chicago moram e saem. Wicker Park tem lojas independentes, lojas de discos, cafés e bares em torno do cruzamento das avenidas Milwaukee, North e Damen. Logan Square, mais adiante na Blue Line, tem bulevares largos, uma feira de produtores e uma vida animada de bares e restaurantes. The 606, uma antiga linha de trem elevada transformada em parque e trilha, liga a região e é um jeito agradável de ir a pé ou de bicicleta de um bairro ao outro.
O centro histórico da comunidade mexicana de Chicago, a sudoeste do Loop, conhecido pelos grandes murais que cobrem suas paredes, suas padarias, taquerías e galerias. O National Museum of Mexican Art, com entrada gratuita, apresenta arte mexicana e mexicano-americana e faz todo outono uma exposição famosa para o Dia dos Mortos. Caminhe pela 18th Street, pare numa panadería para comer um doce e procure os murais nas ruas laterais.
Para a vista lá de cima existem duas opções clássicas. O Skydeck, no 103º andar da Willis Tower, por décadas o prédio mais alto do hemisfério ocidental, tem caixas de vidro que se projetam da fachada para você ficar suspenso sobre a rua. O 360 Chicago, no antigo John Hancock Center da Michigan Avenue, olha para o norte, sobre o lago e as praias, e tem o TILT, uma plataforma de vidro que se inclina para fora, para quem não tem medo de altura. Suba ao pôr do sol num dia claro.
Chicago deu ao mundo o blues elétrico, e essa música ainda vive aqui todas as noites. No Buddy Guy's Legends, no South Loop, e no Kingston Mines, em Lincoln Park, bandas tocam ao vivo até tarde, e o Green Mill, em Uptown, aberto desde o começo do século XX, é um bar de jazz escuro e cheio de atmosfera que parece intocado pelo tempo. São lugares descontraídos onde é normal conversar com as pessoas da sua mesa entre um set e outro.
O The Second City, fundado em 1959, é o teatro de comédia de improviso onde começaram muitos dos comediantes mais conhecidos dos Estados Unidos, e ainda tem apresentações todas as noites em Old Town. Além dele, Chicago tem uma grande cena teatral, dos grandes palcos do Loop às pequenas companhias instaladas em antigas lojas dos bairros. Um show de comédia é um programa fácil para uma noite a dois: vocês riem juntos e têm assunto para depois.
De junho a setembro há um festival quase todo fim de semana. O Chicago Blues Festival, em junho, e o Chicago Jazz Festival, no fim do verão, são gratuitos, e o Grant Park Music Festival oferece concertos de música clássica de graça no Pritzker Pavilion. Cada bairro também organiza sua própria festa de rua, com música, comida e barracas de cerveja. O Lollapalooza, um dos maiores festivais de música do país, lota o Grant Park no começo de agosto.
Casa do Chicago Cubs desde 1916, o Wrigley Field é um dos estádios mais antigos das grandes ligas, com hera nos muros do campo externo e arquibancadas nos telhados dos prédios vizinhos. Um jogo numa tarde de verão é tanto um evento social quanto esportivo; os bares de Wrigleyville ao redor do estádio enchem antes e depois, e desconhecidos conversam com facilidade. Você não precisa entender as regras para curtir.
O antigo distrito de frigoríficos e armazéns a oeste do centro virou a região de restaurantes mais comentada da cidade, com a Randolph Street e o Fulton Market cheios de restaurantes, bares de coquetel, cervejarias e terraços na cobertura. É movimentado todas as noites e um ponto de partida fácil para sair, com opções para todos os bolsos.
Se você fizer só uma atividade organizada em Chicago, que seja esta. Os barcos percorrem o braço principal e as duas bifurcações do rio enquanto o guia explica como a cidade inventou o arranha-céu e como cada torre reflete sua época. Os passeios acontecem principalmente da primavera ao outono; sente-se no deque superior aberto e leve um agasalho, porque a brisa na água pode ser fresca.
Alugue uma bicicleta compartilhada Divvy e siga o caminho à beira do lago, para o norte até Lincoln Park e as praias ou para o sul até o Museum Campus, onde o Field Museum, o Shedd Aquarium e o Adler Planetarium ficam numa península com uma das melhores vistas do skyline. A trilha é plana, separada do trânsito e movimentada do começo da manhã até o pôr do sol.
A pizza deep-dish, assada numa forma alta e comida com garfo e faca, é a mais famosa, mas os moradores têm o mesmo apego ao cachorro-quente estilo Chicago, servido com uma longa lista de acompanhamentos e nunca com ketchup, e ao sanduíche de Italian beef. Inclua uma visita a Chinatown, Greektown ou às taquerías de Pilsen e Little Village, e você vai entender quanto da identidade da cidade vem de suas comunidades de imigrantes.
O maior parque da cidade se estende pela beira do lago ao norte do centro. Tem o Lincoln Park Zoo, que é gratuito, uma estufa cheia de plantas tropicais, lagos e trilhas, além das praias vizinhas. O bairro de mesmo nome, com ruas arborizadas, cafés e bares, é ótimo para passar uma tarde sem planos.
Os trens elevados de Chicago passam por cima das ruas do Loop sobre estruturas de aço com mais de um século, e o circuito que eles fazem em volta do centro dá nome ao distrito. Simplesmente dar a volta no Loop pela Brown Line e seguir para o norte pelos bairros é um jeito barato e inesquecível de ver a cidade por entre os prédios.
A melhor época vai do fim de maio ao começo de outubro, quando a orla, as praias, os bares de cobertura e os festivais gratuitos estão a todo vapor. Julho e agosto são quentes, às vezes úmidos, e também os meses mais cheios. Setembro costuma ser o mais agradável, com dias quentes e menos turistas. O inverno, de dezembro a março, é muito frio, com neve e ventos cortantes vindos do lago, mas a cidade tem ótimos museus, teatros e clubes de música para atravessá-lo. A primavera chega tarde e o tempo pode mudar rápido, então leve roupas em camadas.
Os trens 'L' e os ônibus da CTA cobrem a maior parte da cidade, e a Blue Line funciona 24 horas entre o aeroporto O'Hare e o centro, em cerca de quarenta e cinco minutos. A Orange Line liga o aeroporto de Midway ao Loop. Pague com o cartão Ventra, o app Ventra ou um cartão bancário por aproximação. O centro é compacto e fácil de percorrer a pé, as bicicletas compartilhadas Divvy estão por toda parte e, nos meses quentes, táxis aquáticos cruzam o rio. Apps de transporte são muito usados, principalmente tarde da noite.
O idioma é o inglês, e o espanhol também é muito falado. O pessoal de Chicago tem fama de simpático, sem frescura e bom de papo, e é normal puxar conversa com o barman ou com quem está do seu lado num jogo ou num show. Esporte, comida e o bairro onde você mora são assuntos seguros para começar. Gorjeta é esperada: cerca de 18 a 20 por cento nos restaurantes e um ou dois dólares por bebida nos bares. A idade mínima para beber é 21 anos e os bares pedem documento, então leve o seu.
Recém-chegados jovens e estrangeiros costumam morar em Wicker Park, Logan Square, Lincoln Park, Lakeview e no West Loop, onde ficam os bares, os cafés e os espaços de coworking. A grande população universitária e as muitas empresas internacionais tornam a cidade bem misturada. Grupos de corrida na orla, ligas de vôlei de praia, festas de rua dos bairros, encontros de troca de idiomas e noites de quiz em bares são jeitos populares de conhecer gente, e no verão a própria orla do lago é o grande ponto de encontro da cidade.
Sim. O centro é fácil de percorrer, o transporte público é bom e as pessoas costumam ser simpáticas e dispostas a conversar. Atividades compartilhadas facilitam conhecer gente: um passeio de barco de arquitetura, um show gratuito no Millennium Park, um jogo de beisebol ou uma noite num clube de blues. Como em qualquer grande cidade americana, fique atento ao seu redor à noite e pergunte aos moradores quais áreas evitar.
Três a quatro dias dão conta do Loop, do rio e do passeio de arquitetura, do Millennium Park e do Art Institute, da orla e de um ou dois bairros como Wicker Park ou Pilsen. Reserve mais tempo para aproveitar os festivais de verão ou um jogo de beisebol.
É mais barata que Nova York ou San Francisco, mas hotéis no centro e restaurantes com gorjeta pesam no bolso. Muitas das melhores coisas são de graça: o Millennium Park e seus shows de verão, as praias, a Lakefront Trail, o Lincoln Park Zoo e o National Museum of Mexican Art. O transporte público tem preço acessível.
Os verões vão de quentes a muito quentes, e os invernos são longos, com neve e muito frio, piorado pelo vento do lago. A primavera e o outono são curtos e instáveis. Em qualquer estação, confira a previsão e leve roupas em camadas.
De junho ao começo de setembro. As praias, os shows ao ar livre, os terraços de cobertura, os jogos de beisebol e uma festa de rua em algum bairro quase todo fim de semana fazem do verão a estação em que a cidade inteira está na rua e é mais fácil conhecer gente.
Sim, se você seguir as regras de bom senso de sempre: no primeiro encontro, marque num lugar público movimentado, avise um amigo aonde vai e organize sua própria volta para casa. O Riverwalk, o Millennium Park, os museus e as ruas animadas de bairros como Wicker Park são lugares naturais para um primeiro encontro. Os índices de criminalidade variam muito de bairro para bairro, então fique em áreas conhecidas e movimentadas, principalmente à noite.