Bruxelas

Bruxelas é uma capital pequena com um grande público internacional, onde uma praça medieval dourada, casas art nouveau e cafés de bairro ficam a poucos minutos a pé uns dos outros.

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Photo: Trougnouf (Benoit Brummer) / CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Bruxelas

Bruxelas é a capital da Bélgica e a principal sede das instituições da União Europeia, o que a torna uma das cidades mais internacionais da Europa. Mais de um milhão de pessoas vivem na Região de Bruxelas-Capital, dividida em dezenove municípios, e grande parte delas nasceu no exterior. A cidade é oficialmente bilíngue, francês e holandês, então as placas de rua estão nas duas línguas, mas o que você mais ouve é francês, e o inglês é amplamente entendido. No seu coração fica a Grand-Place, uma das praças mais bonitas da Europa. Ao redor, a cidade muda de uma rua para outra: a elegante parte alta, com palácios e museus, o mercado de pulgas das Marolles, os cafés de Saint-Gilles e Ixelles e as casas de Victor Horta, que fizeram de Bruxelas um dos berços do art nouveau. É também uma cidade de quadrinhos, cerveja, chocolate e batata frita. Para quem visita, Bruxelas é fácil e despretensiosa: as pessoas estão acostumadas com quem chega, conversas em várias línguas são normais e um drinque num terraço depois do trabalho é uma das formas mais simples de conhecer alguém.

Lugares para visitar

A Grand-Place e as Galeries Royales Saint-Hubert

A praça central de Bruxelas é Patrimônio Mundial da UNESCO. A prefeitura gótica, com sua torre alta, fica de frente para a Casa do Rei, e as casas das corporações ao redor da praça, reconstruídas depois do bombardeio francês de 1695, são cobertas de detalhes dourados e fachadas esculpidas. Venha uma vez de dia e outra depois que escurecer, quando os prédios ficam iluminados. A poucos minutos estão as Galeries Royales Saint-Hubert, elegantes galerias com teto de vidro da década de 1840, com chocolaterias e cafés, e o Manneken Pis, a pequena estátua de bronze que é vestida regularmente com uma das suas centenas de fantasias.

O Mont des Arts e os Museus Reais de Belas Artes

Entre a parte baixa e a parte alta da cidade, o Mont des Arts é um jardim formal com escadarias e terraços que oferece uma das melhores vistas do centro histórico, com a torre da prefeitura se erguendo acima dos telhados. Ao redor ficam os Museus Reais de Belas Artes da Bélgica, com mestres flamengos como Bruegel e Rubens, e o Museu Magritte, dedicado ao pintor surrealista belga. Bem perto estão o Museu dos Instrumentos Musicais, numa impressionante antiga loja de departamentos art nouveau, e o Palácio Real.

O Atomium

Construído para a Exposição Universal de 1958, o Atomium é uma estrutura de aço em forma de cristal de ferro ampliado bilhões de vezes, com nove esferas ligadas por tubos. Fica no norte da cidade, é fácil de chegar de metrô e virou o símbolo de Bruxelas. Lá dentro há exposições sobre a Expo, escadas rolantes que passam pelos tubos e uma vista panorâmica da esfera mais alta. Mesmo que você não entre, veja de perto: é muito maior do que parece nas fotos.

O Parc du Cinquantenaire

Um grande parque no Bairro Europeu, criado para comemorar os cinquenta anos da independência belga, com um monumental arco do triunfo no centro. Os prédios dos dois lados abrigam o Museu de Arte e História, o Museu Real do Exército, de onde você pode sair para o arco e ver toda a avenida, e o Autoworld, uma coleção de carros históricos. Em dias de sol, os gramados se enchem de piqueniques e de gente correndo, e o Parlamento Europeu e a Comissão ficam a uma curta caminhada.

O Sablon e as Marolles

Dois bairros vizinhos com personalidades bem diferentes. O Sablon, na parte alta, é elegante e calmo, com antiquários, algumas das chocolaterias mais famosas da Bélgica, terraços e a igreja gótica de Notre-Dame du Sablon. Logo abaixo, as Marolles são um bairro operário tradicional, com brechós, bares simples e o mercado de pulgas da Place du Jeu de Balle, que acontece toda manhã. Um elevador público gratuito liga as Marolles ao enorme Palácio da Justiça, de onde se tem uma vista ampla da cidade.

Saint-Gilles e Ixelles

Nesses dois municípios logo ao sul do centro moram muitos jovens e recém-chegados de outros países, e é onde Bruxelas parece mais um lugar para viver do que para visitar. Saint-Gilles é conhecido pelas casas art nouveau, entre elas o Museu Horta, e pelo Parvis, uma praça movimentada cheia de cafés. Ixelles tem os lagos, a Place Flagey com seu famoso prédio art déco, as lojas e restaurantes em volta de Châtelain e Matongé, o bairro congolês e africano da cidade.

Onde sair

Bares e terraços em Saint-Géry e Sainte-Catherine

As ruas logo a oeste da Grand-Place são o coração da vida noturna. Ao redor da Place Saint-Géry e do seu antigo mercado coberto, bares e terraços ficam cheios até tarde, e ali perto, Sainte-Catherine, a antiga região do porto, tem restaurantes de peixe, bares de vinho e uma praça animada. O clima é mais descontraído do que chique, e nas noites quentes o pessoal toma conta das calçadas, o que facilita puxar conversa com quem está do lado.

A cultura da cerveja belga

A Bélgica tem uma das tradições cervejeiras mais ricas do mundo, das trapistas feitas por monges às ácidas lambic e gueuze, tradicionalmente produzidas na própria Bruxelas e nos arredores. Muitos cafés têm cardápios de cerveja enormes e servem cada uma no seu próprio copo, e os atendentes costumam recomendar com prazer. As cervejas belgas muitas vezes são mais fortes do que se imagina, então comece devagar. Uma visita a uma cervejaria tradicional de lambic em Anderlecht mostra o estilo local.

Música ao vivo e shows

Para o seu tamanho, Bruxelas tem uma cena musical bem agitada. A Ancienne Belgique, no centro, e o Botanique, uma antiga estufa transformada em centro cultural, recebem bandas belgas e internacionais quase todas as noites. O Flagey, em Ixelles, é conhecido pelos concertos de jazz e música clássica, o centro de artes Bozar oferece música, exposições e cinema, e La Monnaie é a casa de ópera da cidade.

Festas e eventos o ano todo

No verão, o Ommegang leva à Grand-Place um desfile histórico com trajes de época, os parques se enchem de shows gratuitos e, a cada dois anos, em agosto, a praça é coberta por um enorme tapete de flores. No dia nacional belga, 21 de julho, há desfile e comemorações. No inverno, uma grande feira de Natal com pista de patinação e roda-gigante se espalha em volta da Bourse e de Sainte-Catherine, e a Grand-Place ganha um espetáculo de luz e música.

Comédia, teatro e cinema

Como a cidade funciona em várias línguas, a vida cultural também. Há teatros em francês e em holandês, stand-up em inglês com frequência para a comunidade internacional e muitos cinemas que exibem filmes na versão original com legendas. O Cinema Galeries, nas galerias reais, e a Cinematek, o cinema da cinemateca nacional, são ótimas opções para filmes independentes e clássicos.

Coisas para fazer

Siga a Rota dos Quadrinhos

Bruxelas é a terra dos quadrinhos belgas, como Tintim e os Smurfs, e dezenas de paredes do centro são pintadas com grandes murais de quadrinhos. Procurar por eles é uma forma divertida de descobrir ruas que você não veria de outro jeito. Comece pelo Centro Belga dos Quadrinhos, num prédio art nouveau projetado por Victor Horta, ou simplesmente olhe para cima enquanto anda pelo centro histórico e pelas Marolles.

Descubra a arquitetura art nouveau

Por volta de 1900, Bruxelas era um dos centros do art nouveau, e muitas casas com sacadas de ferro curvas, mosaicos e vitrais continuam de pé. O Museu Horta, em Saint-Gilles, a casa do próprio arquiteto, é o melhor lugar para ver o estilo por dentro; vale reservar com antecedência. Depois, caminhe pelas ruas vizinhas de Saint-Gilles e Ixelles, onde muitas fachadas são decoradas com painéis pintados e ferro trabalhado.

Prove os clássicos belgas

A batata frita no cone de papel de uma friterie, com um dos muitos molhos, é uma verdadeira instituição. Prove mexilhões com fritas, waffles, o de Bruxelas, leve e retangular, ou o de Liège, mais doce e denso, e os biscoitos speculoos. O chocolate está em toda parte, das barras de supermercado às chocolaterias do Sablon, onde muitas lojas deixam você provar antes de comprar. A carbonnade, carne cozida na cerveja, aquece num dia frio.

Explore o lado verde da cidade

O Bois de la Cambre é um grande parque no sul da cidade, com um lago e um pequeno café numa ilha, e se liga direto à Floresta de Soignes, uma imensa floresta de faias onde dá para caminhar ou pedalar por horas. Mais perto do centro, o Parque de Bruxelas, em frente ao Palácio Real, e o Parc du Cinquantenaire são ótimos para uma pausa entre museus. Em dias de sol, o pessoal daqui corre para os parques assim que sai do trabalho.

Faça um bate-volta para Gante, Bruges ou Antuérpia

A Bélgica é pequena e bem servida de trens. Gante, com seus canais, seu castelo e sua vida estudantil, fica a cerca de meia hora. Bruges, com seu centro medieval, a mais ou menos uma hora, e Antuérpia, conhecida pela moda e pela sua estação grandiosa, a menos de uma hora. Os trens são frequentes, e de Bruxelas-Midi também saem trens rápidos internacionais para Paris, Amsterdã, Colônia e Londres.

Ótimos lugares para primeiro encontro

Informações úteis

Melhor época

Maio, junho e setembro são os meses mais agradáveis, com temperaturas amenas e noites longas nos terraços. Julho e agosto são os mais quentes e trazem os festivais de verão, embora muitos moradores estejam de férias. A chuva pode vir em qualquer estação, então leve um guarda-chuva ou uma capa de chuva leve. Os invernos são cinzentos e úmidos, mas dezembro tem a feira de Natal e o espetáculo de luz na Grand-Place.

Como se locomover

O centro é compacto e é melhor explorado a pé, embora ir da parte baixa para a alta seja subida. O metrô, os bondes e os ônibus da STIB cobrem a cidade inteira, e você pode pagar encostando um cartão bancário com pagamento por aproximação. O trem do aeroporto de Bruxelas chega ao centro em uns vinte minutos. As três estações principais, Bruxelas-Norte, Bruxelas-Central e Bruxelas-Midi, são ligadas por um túnel ferroviário, e os trens internacionais de alta velocidade chegam à Midi.

Idioma e conhecer pessoas

Bruxelas é oficialmente bilíngue, francês e holandês, mas na rua a língua mais comum é o francês, e o inglês é muito falado, principalmente entre os jovens e no Bairro Europeu. Um simples bonjour ao entrar numa loja é bem-vindo. As pessoas costumam ser simpáticas e tranquilas, e como muitos moradores vieram de outros lugares, ser novo na cidade é totalmente normal. As conversas muitas vezes pulam de uma língua para outra, e ninguém se importa.

Onde se encontram viajantes e expatriados

Bruxelas tem uma das maiores comunidades internacionais da Europa, ligada às instituições da UE, à OTAN, a embaixadas, ONGs e empresas internacionais. A Place du Luxembourg, perto do Parlamento Europeu, é famosa pelo happy hour das quintas-feiras à noite. Saint-Gilles, Ixelles, Châtelain e a região do Flagey são populares entre os jovens estrangeiros que moram na cidade. Noites de intercâmbio de idiomas, clubes esportivos e grupos de trilha são formas comuns de conhecer pessoas e são fáceis de encontrar em grupos locais.

Perguntas frequentes

Bruxelas é boa para quem viaja sozinho?

Sim. O centro é compacto e fácil de explorar a pé, o transporte público é simples e, com a grande população internacional, as pessoas estão acostumadas com quem chega. Em cafés e bares é normal ir sozinho, e a cultura do happy hour facilita puxar conversa.

Quantos dias eu preciso em Bruxelas?

Dois ou três dias bastam para a Grand-Place, o centro histórico, alguns museus, o Atomium e um bairro como Saint-Gilles ou Ixelles. Acrescente um ou dois dias se quiser ir de trem a Gante, Bruges ou Antuérpia.

Preciso falar francês ou holandês?

Não. O inglês é amplamente entendido em hotéis, restaurantes, lojas e entre os jovens. Mesmo assim, algumas palavras em francês, como bonjour e merci, são bem-vindas e ajudam fora das áreas turísticas. Placas e avisos estão em francês e em holandês.

Bruxelas é cara?

Os preços são moderados para uma capital da Europa Ocidental, geralmente mais baixos que em Paris, Londres ou Amsterdã. Os hotéis do Bairro Europeu podem ser mais caros durante a semana e mais baratos no fim de semana. Batata frita, waffles e cafés simples deixam as refeições acessíveis, e parques, praças e alguns museus são gratuitos ou baratos.

Com o que devo tomar cuidado como visitante?

Como em qualquer cidade grande, fique de olho nos seus pertences em lugares cheios, principalmente na Grand-Place, no metrô e nas grandes estações de trem, onde agem batedores de carteira. Os arredores de algumas estações grandes podem ser desconfortáveis tarde da noite, então pegue um táxi se chegar muito tarde.

É seguro encontrar em Bruxelas alguém que conheci por um aplicativo?

Bruxelas é em geral segura, e valem as mesmas regras simples de qualquer lugar: no primeiro encontro, marque num lugar público movimentado, avise um amigo aonde você vai e organize você mesmo a volta para casa. Cafés, terraços e praças animadas como o Parvis de Saint-Gilles, a Place Flagey ou o Sablon são lugares naturais para um primeiro encontro.

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